Ponto de Encontro

domingo, 30 de agosto de 2009

MEUS POEMAS


1.
O amor
penetre profundamente
o mar

O amor
penetre profundamente
o rio

Multiplicação da vida
vida mar
vida rio

Marvida
Marrio.

2.
Na oração da manhã
o texto dizia que é preciso
estar atento aos sons que veem de Deus.

Na sala de aula, um pouco mais tarde,
ouvi o conversar dos passarinhos no pátio do lado de fora.

O som era tão cristalino, tão nítido
que parecia isolado da fala de 35 alunos.

Parecia que a conversa dos passarinhos
era conversa de alma
de vida
de essência e
de realidade!

A conversa dos alunos era conversa do corpo de Deus.


3.
mar a dentro
mar a fora
mar a meio
de mim.

4.
hoje
em mim
a dor e amor
constroem estradas de luz.

5.
Os sons da vida
escutei
na transcendência do canto do passarinho.

6.
O silêncio aprisionado
me acompanha
na noite.

7.
a noite
é longa

é lenga-lenga
longa.

8.
dizer o som é
redondamente
soar.

9.
ganhei o dia
achei leminski
na livraria.

10.
De onde vem
a dor que sinto,
senta, gosta e fica?

11.
poetar o ser
balançar a rede
permitir-se sentir sede.

12.
Por da
vida
o sol se põe em minha vida
sinto as marcas das cãs
sendo sulcadas em meu rosto
as cores sendo esmaecidas em minha pele
o cálcio sendo diminuido em minha ossatura.

no entanto, contraditoriamente,
sou mais mulher agora
porque
sou mais sol
mais sal
mais céu

minha fraqueza é minha força
me espraio em horizontes
me diluo em vastidão

assim SENDO
mais luz
mais sabor
mais eternidade e
mais paixão.
sou

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

EDUCANDO O OLHAR

Continue a escrever este texto: ...............Educando o olhar.

Peguei-me imaginando... se, por acaso, alguém me pedisse para falar de poesia, o que eu diria. Matutei, matutei e cheguei à conclusão de que diria, no primeiro momento, que não sou capaz de falar sobre a dita cuja porque para falar dela eu precisaria do olhar diferente que os poetas têm. Eu, realmente, não tenho nada dos poetas, pois eles olham para o mundo de um jeito diferente, bem não é bem diferente... é de outro jeito. Como explicar? Bom, você lembra do filme Matrix, cheio de truques de virtualidades, não é? Há um momento em que o New abre uma porta recém fechada pelo inimigo e percebe que a paisagem que entrevira não é a mesma, é uma outra que o leva a quilômetros de distância, criando uma barreira virtual em relação ao seu algoz. Percebo que o poeta tem essa capacidade de olhar e ver outra realidade, captando-a e mostrando-a de um ponto de vista possível sob o foco do olhar sensível, mas ao mesmo tempo desapaixonado e impiedoso. Eu diria, portanto, que não sou capaz de falar de poesia porque não tenho o sentido da visão ampliado de tal forma que eu possa perceber pela retina os movimentos que se processam à nossa frente e não vemos. Pensando sobre essa limitação, percebi que poderia aproveitar os outros sentidos que tenho, aguçados, para compensar.... Vanda.

POESIA PARA A SEMANA

Amigos.

Essa belíssima poesia, que já foi musicada por Fagner, é uma das obras mais belas que já vi. A palavra precisa definindo o instante da vida recortado pela emoção- palavra em coração... Lindo, lindo, lindo.


Motivo (Cecília Meireles)

Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem triste:
sou poeta.
Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.
Se desmorono ou edifico,
se permaneço ou me desfaço,
- não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.
Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno e asa ritmada.
E sei que um dia estarei mudo:
- mais nada